sábado, 1 de março de 2008

Camões
Epopeia
O género épico, ou epopeia, remonta à antiguidade grega e latina, sendo os seus expoentes máximos Homero e Virgílio.
Trata-se de um género narrativo, em verso, destinado a celebrar feitos grandiosos de heróis fora do comum, reais ou lendários, em estilo elevado. Possui um fundamento histórico, embora não reproduza os acontecimentos com fidelidade, transform-os e apresenta-os como actos exemplares a servir de modelo às gerações vindouras. Consiste no relato das façanhas de um herói, ou de um povo, com interesse para esse povo e para a humanidade.
Sendo este um género narrativo, exige na sua estrutura (construção) a presença de uma acção, ou enredo, desempenhado por personagens, num determinado tempo e espaço.
O estilo é elevado e grandioso e o género possui uma estruturação própria, cujos principais aspectos são:

* a existência de uma proposição em que o autor apresenta a matéria do seu poema
* existência de uma invocação às Musas ou outras divindades e entidades míticas protectoras das artes
* uma dedicatória (facultativa)
* uma narração, in media res, isto é, em que a acção não é narrada pela ordem cronológica dos acontecimentos, mas se inicia já no decurso desses acontecimentos, sendo a parte inicial narrada posteriormente, num processo de rectrospectiva, ou "flash -back", ou analepse, pelo próprio herói
* inclusão de profecias
* presença da mitologia greco-latina, convivendo heróis mitológicos e heróis humanos


ESTRUTURA de OS LUSÍADAS

ESTRUTURA EXTERNA
Os Lusíadas dividem-se em 10 cantos ( uma espécie de capapítulo), consti-tuídos por um número variável de estâncias de 8 versos - oitavas -, tendo cada verso 10 sílabas métricas - se acentuados na 6ª e 10ª sílabas chamam-se versos decassílabos heróicos, se a acentuação for na 4ª, 8ª e 10ª sílabas sáficos. A rima é cruzada nos seis primeiros versos e empa-relhada nos dois últimos, apresentando oesquema rimático a b a b a b c c .


ESTRUTURA INTERNA
Tal como mas epopeias da Antiguidade Clássica, Os Lusíadas apresentam:

Proposição - canto I, estâncias 1 a 3 - o poeta define o objectivo do seu poema
Invocação - canto I, estâncias 4 e 5 - Camões pede inspiração às ninfas do Tejo- asTágides
Dedicatória - canto I, estâncias 6 a 18 - dedica o poema ao rei D. Sebastião ( esta parte é de carácter facultativo)
Narração - inicia-se no canto I, estância 19, e termina no fim do canto X - aqui o poeta canta os feitos heróicos/gloriosos dos portugueses, tendo como acção central a viagem de Vasco da Gama à Índia.


Tratando-se de uma narração, o poema apresenta as categorias próprias do género narrativo:
- acção
- personagens
- espaço
- tempo
- narrador


Para estudarmos estas categorias temos de ter em conta que existem quatro planos interpenetrados:
- plano da viagem
- plano dos deuses
- plano da História de Portugal
- plano do poeta


A nível da acção, o plano da viagem liga-se directamente ao plano dos deuses. A viagem de Vasco da Gama à Índia está condicionada pela oposi-
ção constante entre Vénus e Baco; estes dois planos constituem a unidade de acção.
O plano dos deuses também interfere no plano da história de Portugal, através da profetização de acontecimentos futuros; os acontecimentos passados resultam do plano da viagem, contados devido ao pedido do Rei de Melinde a Vasco da Gama (cantoIII-V) e do Catual a Paulo da Gama (cantoVIII).
Estes pedidos determinam a existência de vários narradores. Camões é o narrador principal. Vasco da Gama narra a história de Portugal e parte da viagem, Paulo da Gama refere a destacadas figuras da História.
Paralelamente a estes planos, coexiste um outro consagrado às consi-derações do poeta, geralmente em final de canto, onde Camões expressa os seus pensamentos sobre a ambição, a injustiça, o desprezo das letras dando conselhos ao próprio rei.
07 Aug 2005 by gloria

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